
Julho 4, 2009
a colaboração entre um diretor e um ator, quando boa, é extremamente intensa e, com muita frequência, há nela um toque de agressão — em geral, da parte do ator. se você recebe ordens, o dia inteiro, de um diretor — de caminhar, ficar de pé e falar, olhar de certa maneira, agora almoçar e agora terminar por hoje (mesmo que tudo parta de um gênio) —, há ocasiões em que você pensa: só dando um tiro nesse sujeito. quero ser livre, me sentir livre. eu o detesto.
então a gente deixa a raiva escapar em pequenas nuvens de vapor e todos sabem que isso nada significa.
>> mutações – ullmann, l. [p.195]