fiquei na minha mesinha, cada vez mais maravilhado com as mulheres que passavam para lá e para cá, dançavam e mexiam comigo. também fiquei empolgado com as bossas que o conjunto tocava, e logo as identificava por ouvir no rádio. de repente, comecei a ouvir:
o meu coração obedece a uma voz
maria meu bem, e o samba também
meu coração palpitava forte. roberto estava cantando minha música.
a coisa melhor desse mundo
é ouvir um samba com inspiração
ao compasso do meu coração
minhas lágrimas pingavam no copo de cuba libre, enquanto roberto continuava:
se faltasse o samba
maria de nada valeria
mas se faltasse maria
eu não teria vontade
alguma de escutar
meu samba sem poder amar
alguns aplausos e roberto então anunciou:
— essa música que vocês ouviram é de um compositor da tijuca, meu amigo erasmo — eu ainda não tinha carlos no nome.
e apontou para mim. os aplusos ficaram ligeiramente mais fortes. alguém falou:
— levanta, levanta!
mas não tive coragem. estar feliz me bastava.
>> minha fama de mau – carlos, e. [p.105/108]


